Como disse anteriormente, não existe na IURD uma escola de formação de Obreiros. Sendo assim, a aula de candidato a Obreiro acontece na igreja, geralmente tendo como responsável um pastor auxiliar. Algumas vezes o Próprio Pastor Titular faz a aula. Bom seria se em cada igreja, houvesse um líder de Obreiro de Caráter, com autonomia para ser líder de um Grupo de Formação de Obreiros e tendo um Pastor como responsável pelo Grupo.
Como escola haveria algumas provas, testes de conhecimento, entrevistas dinâmicas com todos presentes, pra fazer que se conheçam melhor.
Não tenho como escrever aqui o que é uma aula de candidato já que não há um padrão. Tudo depende do pastor que vai fazer e da inspiração que o Espírito Santo dá. Em nenhum momento retiro o poder o Espírito Santo para se levantar um Candidato a Obreiro, mas nos anos 80 e início de 90 era excelente testá-los pra saber até onde vão, deixando meses de espera, testando paciência, colocando sempre um araponga pra saber se alguém deseja desistir, o que acha do pastor que está aplicando as aulas… Todos juntos dá pra descobrir um pouco do caráter.
Ainda nos anos 80 e início de 90 era comum alguém visitar a casa do candidato para uma visita pra saber como a pessoa é, se na igreja tem um comportamento se em casa tem outro. Ou visitando os vizinhos próximos. Já aconteceu comigo.
Eu conto um pouco sobre isso num artigo que escrevi: Como se formava um obreiro?
Me lembro que eu tinha 2 bíblias. Uma para aula de candidatos (toda rabiscada) e outra para assistir aos cultos e evangelizar. Eu sabia os o nome dos livros da bíblia e quem os escreveu do início ao fim… isso me fazia abrir a bíblia num livro sem precisar daqueles sulcos com as letrinhas pra informar onde estavam os livros. Éramos proibidos de utiliza-lo.
Nas provas quinzenais tinha diversas pegadinhas e textos para discutir… muito texto pra discutir. O responsável pela turma elaborava perguntas sobre vida pessoal, espiritual, sentimental de pessoas que ele atendeu e nós comentávamos. Tudo isso valia ponto.
Mas no normal hoje, reúnem-se em uma sala, rola algumas perguntas, preenche-se uma ficha, muitas outras perguntas, se são batizados com o Espírito Santo, por que desejam fazer a Obra como Obreiros, se ouvem o Bispo Macedo pregar na rádio ou acompanha seu blog, prega-se um pouco e ensina-se o básico de como segurar uma pessoa manifestada, como se comportar no culto, segurando as sacolas, ungindo as pessoas, coisa e tal etc.
Entrevista.
Acho que esse é o terror de todo o Candidato… diversas vezes o pastor marcava a entrevista e não fazia, não dava tempo. Era cruel a espera. Pior, o pastor mandava o candidato entrevistado fazer voto de silêncio… não sabíamos o que perguntava… Nem as respostas… ninguém falava… e éramos observados… tinha o candidato araponga, ele era o que denunciava quem não cumpria o dever de ficar calado.
As perguntas eram simples… Quem descobriu o Brasil… dia mês e ano… Nome da Mãe e do Pai… De que Grupo Veio? … Você é batizando com o Espírito Santo? Fala em línguas? Fale agora? Como tem certeza? Você tem fé? Que reuniões assiste?
As respostas… só Jesus… Tenho uma teoria. Acredito que muitas pessoas mentem para o pastor na entrevista sobre sua vida com Deus, fora da igreja e são santos dentro da igrejas apenas por que acham bonito o Uniforme de Obreiro (principalmente de Obreira) e pelo um “status” que acredito que hoje já não existe mais. Esse status na minha adolescência era equivalente a ser um pastor… O obreiro era uma pessoa de bem… Respeitado por todos. Dentro e fora da igreja… ah! já estou eu aqui contando o que é ser um Obreiro.. olha… sem querer… não vou apagar, mas essa só conto no final.
Na minha turma de candidatos (1ª turma 1992), éramos 105 candidatos, só 12 foram levantados. Na (2ª turma de 1992) todo o restante foi levantado independente da sua condição. Minha esposa por exemplo estava há 2 meses como candidata, saída do Grupo Jovem, simplesmente por que o pastor queria ter 500 obreiros na igreja… bravo… dessa turma toda só tem 3 que ainda trabalham no culto… EU, MINHA ESPOSA E UM OBREIRO. Alguns ainda estão na igreja, mas não trabalham mais no culto, por isso perdeu o direito de trabalhar no culto como obreiros. Mas isso agora não importa.
Candidatos.
Isso tudo que escrevi é por alto, só pra matar a curiosidade, em breve vou escrever alguns detalhes interessantes, importantes e necessário, por que o Obreiro tem alguns “privilégios” e grandes “responsabilidades” se comparados aos membros e candidatos.
Não vou esconder nada de vocês. Já fui um excelente Obreiro de tempo integral (24 horas na igreja) que era pau pra toda obra e quanto mais me dava mais sofria. Todos os detalhes pra ser um Obreiro de Deus, sem jargões que odeio, sem historinhas e lengas lengas escreverei.
Na próxima sobre a emoção de ser levantado e talvez escreva sobre os primeiros passos de um obreiro.
Obr. Alexandre Fernandes
Cristão da Universal